Vacina contra o câncer feita sob medida reduz risco de a doença voltar - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

130 leituras ·  4 avaliação média ·  43 avaliações

Vacina contra o câncer feita sob medida reduz risco de a doença voltar - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

Editora: 12min

Resenha crítica

Quando se fala em vacina, o que vem à cabeça é aquilo que se toma antes de ficar doente, para o corpo aprender a reconhecer um vírus que talvez apareça um dia. A vacina de que se fala aqui é outra coisa. Ela é aplicada depois que a doença já apareceu e já foi operada, e não protege contra nenhum agente externo: é fabricada a partir do tumor de um paciente específico, para ensinar o sistema de defesa dele a caçar as células cancerosas que possam ter sobrado da cirurgia. Uma para cada pessoa, feita sob medida.

Essa ideia circula há anos como promessa. O que mudou recentemente é que a Merck e a Moderna anunciaram que ela passou pelo teste mais duro que existe na medicina — e, segundo as próprias empresas, é a primeira vez que uma terapia oncológica personalizada baseada em mRNA obtém um resultado positivo em estudo de fase 3, o estágio mais avançado dos testes em pessoas.

"Estes achados de fase 3 representam um momento decisivo para o campo da pesquisa em câncer", disse Stéphane Bancel, presidente-executivo da Moderna, no comunicado das empresas. "Durante muitos anos, a ideia de criar um tratamento de mRNA desenhado especificamente para o câncer de um paciente individual foi aspiracional. Agora estamos ajudando a transformar essa visão em realidade."

Uma vacina que não previne: ela persegue o que sobrou

O produto se chama intismeran autogene, e o processo começa na mesa de cirurgia. Depois que o tumor é retirado, os médicos coletam amostras do tecido canceroso e também de células saudáveis do mesmo paciente. Algoritmos avançados então analisam a sequência genética do tumor e escolhem até 34 alvos específicos daquele câncer — marcas que aparecem nas células doentes e não nas normais — para codificar no tratamento personalizado.

A lógica é a de mirar em vez de bombardear. Murad Alam, vice-chefe de dermatologia do Northwestern Medicine, em Chicago, explica ao Fox News Digital que nem todos os melanomas são iguais: "eles são um pouco diferentes em cada paciente, e é por isso que quimioterapias tradicionais muitas vezes param de funcionar ou não funcionam em um paciente específico. Isso é quase uma imunoterapia individualizada, em que você encontra as questões específicas de um paciente em particular."

Segundo ele, o efeito colateral disso é justamente a ausência de efeito colateral pesado. "Não atinge células normais e atinge as células cancerosas com muita eficácia, porque não é apenas uma vacina genérica. É uma que conhece especificamente os sinais do seu câncer e consegue encontrá-lo." A Merck informou que os efeitos adversos foram semelhantes aos observados em estudos anteriores, sem novos problemas de segurança. Alam descreve o quadro como leve: um pouco de fadiga, calafrios, dor no local da injeção.

É importante marcar o que essa terapia não é. Ela não serve para prevenir melanoma em quem não tem a doença, nem em quem tem histórico familiar, nem em quem tem uma lesão muito pequena. "Isso é desenhado para pessoas em que o melanoma cresceu a ponto de ameaçar não apenas a área local da pele, mas a vida inteira delas", diz o dermatologista.

O que o estudo mediu, e em quem

O ensaio, chamado INTerpath-001, acompanhou 1.137 pacientes em vários países, todos operados para remoção de melanoma de alto risco — estágios IIB a IV. O melanoma é um câncer de pele que pode se espalhar para partes distantes do corpo, e esses estágios descrevem justamente os casos em que esse risco é grande.

Os participantes foram sorteados para dois grupos. Um recebeu Keytruda, imunoterapia já usada como padrão de cuidado nesse cenário, mais a vacina personalizada. O outro recebeu Keytruda mais placebo. Quem tomou a combinação teve resultado significativamente melhor em sobrevida livre de recorrência — ou seja, o câncer voltou menos. A combinação também melhorou de forma significativa a sobrevida livre de metástases a distância, que mede por quanto tempo o paciente segue vivo sem que a doença apareça em outros órgãos.

Traduzido: os dois grupos receberam o melhor tratamento disponível hoje, e o grupo que recebeu a vacina por cima dele se saiu melhor nos dois indicadores.

Por que a inteligência artificial entrou nisso

Escolher quais alvos incluir na vacina de cada paciente é o gargalo do método, e é aí que a computação entra. "Essas coisas são difíceis e, historicamente, levavam muito tempo, e simplesmente não seria viável fazer isso para cada paciente individual sem o poder da IA", afirma Alam. "E tenho certeza de que isso vai ficar cada vez melhor no futuro."

O que ele descreve não é uma inteligência artificial que descobre um remédio novo, e sim uma que torna possível, em tempo e custo razoáveis, produzir um tratamento diferente para cada pessoa. "Aqui, a IA é uma ferramenta que permite chegar, em um tempo razoável e com recursos razoáveis, a uma vacina para aquela pessoa específica."

O que os dados ainda não mostram

As empresas descreveram os resultados como significativos e relevantes, mas o anúncio deixa perguntas centrais em aberto — e vale enumerá-las, porque é nelas que se decide o tamanho real do avanço.

Os achados ainda são iniciais e não revelaram por quanto tempo os pacientes permaneceram livres do câncer. O anúncio também não estabeleceu se o tratamento faz os pacientes viverem mais: reduzir recorrência e prolongar a vida não são a mesma coisa, e só a segunda medida encerra a discussão. Além disso, os resultados de sobrevida livre de recorrência se basearam na avaliação dos próprios investigadores do estudo, e não em uma revisão central independente — uma ressalva registrada no próprio comunicado.

Há ainda o limite de escopo. O estudo olhou apenas para pessoas com estágios específicos de melanoma de pele, que passaram por cirurgia e não tinham feito tratamento medicamentoso prévio. Os resultados podem não valer para outros tipos ou estágios de câncer.

Registro regulatório e a aposta em outros tumores

Com o resultado de fase 3 em mãos, a Merck e a Moderna anunciaram que vão procurar autoridades regulatórias no mundo todo, incluindo a FDA, a agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, para discutir possíveis pedidos de registro. É o passo que separa um resultado de estudo de um tratamento que médicos podem prescrever.

Em paralelo, há planos de testar a mesma tecnologia contra outros cânceres difíceis de tratar: pulmão, bexiga e rim. Alam considera a extensão plausível. "Acho que o conceito subjacente de mirar um tumor específico com os marcadores específicos daquele tumor é generalizável, ou seja, você poderia fazer isso com diferentes tipos de câncer de pele ou com diferentes tipos de câncer em geral. É muito empolgante."

O que fazer com essa informação

O primeiro marco a acompanhar é burocrático e datado: se e quando Merck e Moderna efetivamente protocolam o pedido de registro junto à FDA e às demais agências. Anunciar intenção de conversar com reguladores não é o mesmo que submeter um dossiê, e é a submissão — e depois a decisão de cada agência — que define se isso vira tratamento disponível ou continua sendo resultado de estudo.

O segundo é científico e mais demorado: os dados de sobrevida geral. Enquanto o que se tem é menos recorrência e menos metástase a distância, sem informação sobre por quanto tempo os pacientes ficaram livres da doença nem sobre se viveram mais, a pergunta que mais interessa a quem enfrenta um melanoma avançado segue sem resposta. Vale observar também se novas análises trazem revisão independente dos casos, já que a avaliação atual foi feita pelos investigadores do próprio estudo.

O terceiro é o teste de generalidade. Se a mesma lógica — sequenciar o tumor, deixar algoritmos escolherem os alvos, fabricar uma vacina por paciente — começar a aparecer em ensaios de pulmão, bexiga e rim com resultados na mesma direção, o que aconteceu no melanoma deixa de ser um caso isolado e passa a ser um modelo replicável. Se ficar restrito a um tipo de tumor, continua sendo um avanço, mas de alcance bem menor do que o anúncio sugere.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?